Na avaliação do médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, um dado do Instituto Nacional de Câncer ajuda a dimensionar o peso da prevenção: alimentação adequada, peso saudável e prática de atividade física podem reduzir em até 28% o risco de câncer de mama. O número mostra que parte do risco está ao alcance de escolhas cotidianas. Ao mesmo tempo, deixa claro que a maior fatia depende de fatores que nenhuma mudança de hábito consegue alterar.
Fatores de risco que não podem ser mudados
O envelhecimento é o principal deles. A incidência da doença cresce com a idade, e a maior parte dos casos ocorre depois dos 50 anos. Histórico familiar, mutações genéticas herdadas, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, e biópsias anteriores com lesões de alto risco também elevam a probabilidade de desenvolver o tumor.
A história reprodutiva entra no mesmo grupo. Primeira menstruação antes dos 12 anos e menopausa depois dos 55 ampliam o período de exposição aos hormônios femininos, o que se associa a um risco maior. Mamas densas e radioterapia no tórax em idade jovem completam a lista de fatores sobre os quais não há controle.
O que os hábitos conseguem alterar
Do outro lado estão os fatores modificáveis. Segundo Vinicius Rodrigues, a diferença entre os dois grupos não está na importância de cada um, mas no tipo de resposta possível: para os primeiros, vigilância; para os segundos, prevenção ativa. Sedentarismo, consumo de álcool e excesso de peso são os exemplos mais estudados.
A atividade física regular está associada a menor risco, em parte por ajudar no controle do peso e em parte por efeitos sobre hormônios e inflamação. O benefício aparece tanto em mulheres jovens quanto após a menopausa, o que torna o exercício uma das medidas de prevenção mais consistentes.
Álcool e excesso de peso após a menopausa
O álcool é classificado como substância cancerígena pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, e o risco de câncer de mama aumenta mesmo com consumo considerado moderado. Não existe uma dose segura definida, de modo que reduzir a ingestão traz ganho em qualquer nível.
O excesso de peso tem um efeito particular após a menopausa. Quando os ovários deixam de produzir estrogênio, o tecido adiposo passa a ser a principal fonte do hormônio. Mais gordura corporal significa mais estrogênio circulante e, portanto, maior estímulo sobre o tecido mamário. Na leitura de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o dado ajuda a explicar por que o controle de peso ganha relevância justamente na faixa etária de maior incidência.
Gestação, amamentação e hormônios entram na conta?
Entram, com efeitos em direções opostas. A amamentação está associada a redução do risco, e o benefício cresce conforme o tempo total de aleitamento. Já a primeira gestação após os 30 anos e a ausência de gestações se associam a risco um pouco maior.
A terapia hormonal na menopausa, sobretudo a que combina estrogênio e progesterona, também eleva o risco quando usada por longos períodos. A decisão sobre o tratamento envolve outros benefícios e precisa ser individualizada, mas o fator de risco deve fazer parte da conversa entre paciente e médico.
Prevenção não substitui o rastreamento
Adotar hábitos saudáveis reduz a probabilidade de a doença surgir, mas não a elimina. Mulheres fisicamente ativas, com peso adequado e sem consumo de álcool também desenvolvem câncer de mama, porque idade e fatores genéticos continuam presentes.
Por esse motivo, prevenção primária e detecção precoce funcionam como estratégias complementares. Conforme pondera Vinicius Rodrigues, a primeira diminui o número de casos, enquanto a segunda reduz a gravidade dos que acontecem. No SUS, a mamografia é indicada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos e está disponível a partir dos 40, em decisão conjunta com o profissional de saúde.

