Câncer de mama e os fatores de risco que dependem de hábitos

Sophie Hartmere
Sophie Hartmere
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Na avaliação do médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, um dado do Instituto Nacional de Câncer ajuda a dimensionar o peso da prevenção: alimentação adequada, peso saudável e prática de atividade física podem reduzir em até 28% o risco de câncer de mama. O número mostra que parte do risco está ao alcance de escolhas cotidianas. Ao mesmo tempo, deixa claro que a maior fatia depende de fatores que nenhuma mudança de hábito consegue alterar.

Fatores de risco que não podem ser mudados

O envelhecimento é o principal deles. A incidência da doença cresce com a idade, e a maior parte dos casos ocorre depois dos 50 anos. Histórico familiar, mutações genéticas herdadas, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, e biópsias anteriores com lesões de alto risco também elevam a probabilidade de desenvolver o tumor.

A história reprodutiva entra no mesmo grupo. Primeira menstruação antes dos 12 anos e menopausa depois dos 55 ampliam o período de exposição aos hormônios femininos, o que se associa a um risco maior. Mamas densas e radioterapia no tórax em idade jovem completam a lista de fatores sobre os quais não há controle.

O que os hábitos conseguem alterar

Do outro lado estão os fatores modificáveis. Segundo Vinicius Rodrigues, a diferença entre os dois grupos não está na importância de cada um, mas no tipo de resposta possível: para os primeiros, vigilância; para os segundos, prevenção ativa. Sedentarismo, consumo de álcool e excesso de peso são os exemplos mais estudados.

A atividade física regular está associada a menor risco, em parte por ajudar no controle do peso e em parte por efeitos sobre hormônios e inflamação. O benefício aparece tanto em mulheres jovens quanto após a menopausa, o que torna o exercício uma das medidas de prevenção mais consistentes.

Álcool e excesso de peso após a menopausa

O álcool é classificado como substância cancerígena pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, e o risco de câncer de mama aumenta mesmo com consumo considerado moderado. Não existe uma dose segura definida, de modo que reduzir a ingestão traz ganho em qualquer nível.

O excesso de peso tem um efeito particular após a menopausa. Quando os ovários deixam de produzir estrogênio, o tecido adiposo passa a ser a principal fonte do hormônio. Mais gordura corporal significa mais estrogênio circulante e, portanto, maior estímulo sobre o tecido mamário. Na leitura de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o dado ajuda a explicar por que o controle de peso ganha relevância justamente na faixa etária de maior incidência.

Gestação, amamentação e hormônios entram na conta?

Entram, com efeitos em direções opostas. A amamentação está associada a redução do risco, e o benefício cresce conforme o tempo total de aleitamento. Já a primeira gestação após os 30 anos e a ausência de gestações se associam a risco um pouco maior.

A terapia hormonal na menopausa, sobretudo a que combina estrogênio e progesterona, também eleva o risco quando usada por longos períodos. A decisão sobre o tratamento envolve outros benefícios e precisa ser individualizada, mas o fator de risco deve fazer parte da conversa entre paciente e médico.

Prevenção não substitui o rastreamento

Adotar hábitos saudáveis reduz a probabilidade de a doença surgir, mas não a elimina. Mulheres fisicamente ativas, com peso adequado e sem consumo de álcool também desenvolvem câncer de mama, porque idade e fatores genéticos continuam presentes.

Por esse motivo, prevenção primária e detecção precoce funcionam como estratégias complementares. Conforme pondera Vinicius Rodrigues, a primeira diminui o número de casos, enquanto a segunda reduz a gravidade dos que acontecem. No SUS, a mamografia é indicada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos e está disponível a partir dos 40, em decisão conjunta com o profissional de saúde.

 

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