Cuidador de idoso: quais sinais indicam sobrecarga? Yuri Silva Portela explica 

Sophie Hartmere
Sophie Hartmere
Yuri Silva Portela

Em muitas famílias, um único indivíduo assume o encargo de realizar consultas médicas, administrar medicamentos, preparar refeições e oferecer companhia diária a um idoso, enquanto os demais familiares contribuem apenas ocasionalmente, quando solicitados diretamente. O Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, apresenta que, embora essa concentração de responsabilidades seja comum, ela compromete a sustentabilidade do cuidado a médio prazo, afetando tanto quem presta o cuidado quanto quem o recebe.

O esgotamento de um cuidador principal raramente se manifesta de forma repentina e evidente. Conforme mencionado por Doutor Yuri Silva Portela, o desgaste físico e mental se instala gradualmente, em noites sem sono, adiamentos de compromissos pessoais e uma sensação crescente de que não há substituto disponível para qualquer tarefa, por menor que pareça no dia a dia.

Neste artigo, serão apresentados os sinais que indicam que a sobrecarga já ultrapassou um nível saudável. Além disso, será discutido por que cuidar de quem cuida também faz parte de um cuidado geriátrico verdadeiramente completo.

Como a sobrecarga se manifesta no corpo e no comportamento?

Alterações nos padrões de sono, sejam dificuldades para adormecer ou despertares frequentes durante a noite, costumam ser um dos primeiros sinais físicos de sobrecarga em cuidadores familiares dedicados. O doutor Yuri Silva Portela destaca que a irritabilidade crescente, mesmo diante de situações antes consideradas triviais, também indica que os recursos emocionais disponíveis já estão significativamente reduzidos e próximos do limite.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O isolamento social progressivo, com o cuidador cancelando encontros e atividades antes valorizadas, e a negligência com a própria saúde, incluindo consultas médicas adiadas repetidamente por falta de tempo, completam esse quadro de desgaste que costuma ser minimizado pelo próprio cuidador, que tende a colocar as necessidades do idoso sempre à frente das suas próprias necessidades.

Por que a sobrecarga compromete a qualidade do cuidado oferecido?

Os cuidadores que apresentam sintomas de exaustão têm uma probabilidade maior de cometer erros na administração de medicamentos, de reagir com impaciência a situações que exigiriam mais atenção e de negligenciar sinais de mudança na saúde do idoso. Em condições normais, esses sinais seriam percebidos rapidamente e receberiam a atenção adequada. Esse desgaste cria um ciclo no qual dois membros da família passam a necessitar de cuidados, em vez de apenas um, comprometendo a sustentabilidade de todo o arranjo familiar estabelecido ao longo do tempo.

A consciência de que a prestação de cuidados de qualidade está intrinsecamente ligada ao bem-estar daqueles que atuam nessa função requer uma reestruturação na forma como a família organiza essa responsabilidade, incluindo a distribuição de tarefas e a busca por apoio. Essa mudança se torna ainda mais crucial antes que o esgotamento se torne evidente e, consequentemente, irreversível para a dinâmica familiar como um todo e para a qualidade do cuidado prestado.

Cuidar de quem cuida também é parte do tratamento

A divisão de tarefas entre diferentes familiares, mesmo à distância, e a busca de apoio de cuidadores remunerados ou serviços comunitários, quando a rede familiar não for suficiente, reduzem significativamente o risco de esgotamento do cuidador principal ao longo dos meses. O Dr. Yuri Silva Portela salienta que a busca por assistência externa não deve ser interpretada como um indicativo de fracasso familiar, mas sim como um reconhecimento realista de que a promoção de cuidados sustentáveis raramente depende de uma única pessoa ao longo de anos consecutivos.

O cuidador de idosos que não conta com apoio ou pausas regulares no exercício de suas funções tende a oferecer um cuidado de qualidade decrescente com o tempo, ainda que sua dedicação permaneça a mesma desde o início. A observação de sinais de exaustão na rede familiar deveria ser parte integrante do acompanhamento geriátrico, assim como a observação de sinais no próprio paciente idoso. Logo, ambos devem ser integrados ao mesmo plano de cuidado contínuo.

 

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